Antes de eu começar minha chatice de hoje, gostaria de acrescentar um fato que me ocorreu semana passada na escola onde eu pratico natação. Irei me referir em terceira pessoa.
" A porta do vestiário foi aberta. A garota vinha escorrendo ás aguas e tremia de frio por conta do clima nada agradável daquela quinta-feira.
- Hoje eu sonhei com o meu marido. - comentou uma das senhoras de idade que se preparava para ir á piscina.
- Acho que eu nunca sonhei com o meu. - interveio sua colega, como se estivesse falando para si mesma.
- Sempre que eu sonho com ele - continuou, fingindo não notar o comentário. - é rápido demais, e eu nunca vejo seu rosto... Sabe, quando é aquela imagem rápida. Eu sinto a falta dele."
Sim, pelo que pude captar no tom das pessoas da narração acima, ambas tiveram seus companheiros falecidos. Isso me pôs a pensar.
Pensar um pouco nas minhas saudades, nos meus amores, paixões antigas. Mas acho que até hoje só tive uma que eu possa considerar realmente importante. Não foi na intensidade, nem no tempo que durou, mas no seu significado. Não foi uma história longa, muito menos bonita, a não ser que você considere que o melancólico tenha sua beleza, não foi como a das outras pessoas e me ensinou de longe mais do que qualquer outros lábios que me tenham passado.
Não foi um romance, não foi bem uma história, foi um acontecimentos seguido por outros de igual importância. Até então eu nunca me senti desejada, até então eu nunca havia me sentido realmente traída. Presente em si a inocência e o pecado. Entre mil e outras antíteses que eu poderia citar. Na realidade, foi imparcial. Está em um ponto invisível no meio de tantas outras contradições.
Uma imparcialidade na qual eu paguei caro.
Mas por incrível que pareça eu não consigo imaginar outra maneira de ter acontecido. Não consigo imaginar uma outra realidade em que isso não tenha ocorrido. Estou muito bem, obrigada sobre o como e o com quem aconteceu. Realmente não gostaria que tivesse sido diferente.
Acabou sem um fim, no meio do livro, inesperado. Mas acabou, e foi bom ter acabado. Isso é definitivo. Por mais que eu me perca, delirante, em opções de reviver tudo de novo, devaneios causados pelo fato de que a sua importancia nunca parou de existir e nunca foi esquecida. Não acho que tenha um continuação plausível, pelo menos no presente em que me encontro. Talvez, daqui alguns anos possa mudar de opinião. O fato de eu sentir saudade não significa, de maneira alguma, que eu deseje ter o que eu perdi.
Estranho, costumo ser realmente egoísta.
Mas talvez tenha algum tipo de trauma pela maneira em que eu me acabei e fui acabada nessa história. Varrida fora do conto. A traição é marcada a fogo na nossa pele. Não me refiro á amores, de maneira alguma, coisas acontecem e é tanto natural quanto científico que isso acontece em muitos relacionamentos. Mas na amizade. No muro da confiança que demorou tanto para ser construido e acabou em um simples momento.
Se um dia algum filho da puta virar pra mim e me dizer sobre a vergonha do que me aconteceu. Tenho algo preparado em minha lingua para dar como resposta: FODA-SE.
Não vou dizer que não foi importante, porque seria contradizer oque eu citei esse texto inteiro. Só digo que aconteceu, mas e daí? Superei, e melhor do que um dia eu imaginava que o iria fazer. Na verdade eu achava que nunca iria. Mas meu temperamento trágico e exagerado não é novidade pra ninguém aqui.
Você pode pensar que gostar de verdade de alguém ás vezes não vale a pena. Que foi horrível demais pra isso. Esqueça, sempre vale.
M.
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